Rota Vicentina

Caminho histórico - Parte II

"...No fundo até sentia o bichinho de provar que sou mais forte que a profecia! "

Um novo dia! Um pouco nervosa… talvez! As palavras do rapaz que conhecera na vila, no dia anterior, ecoaram na minha cabeça durante a noite e eu não sabia se lhes deveria prestar atenção. Pois bem… depois de uma deliciosa tarte de amêndoa e uma tão aguardada e merecida coca-cola, sentada numa esplanada no largo da vila de Cercal, voltei a pegar na bicicleta. Para minha surpresa… mais um furo! E câmaras de ar nem vê-las! Afinal ainda não podia estar sossegada! Tudo isto faz parte da aventura não é assim?! E quem tem boca vai a Roma! Umas esquinas mais acima e já estava a ser desenrascada numa oficina que, apesar de nada ter a ver com bicicletas, sempre tinha umas câmaras de ar de bagatela. E foi mesmo à porta que tratei do assunto! Resolvi a questão, tratei de fazer umas comprinhas e fui à procura do quartel dos Bombeiros para lavar a lamacenta bicicleta. E foi aí que conheci o simpático rapaz que até lá me levou. A pergunta do costume levou à resposta do costume. E foi quando disse que tencionava terminar em Odemira, que ele me começou a inquietar dizendo o quão difícil seria fazê-lo de uma só vez. Um sem número de motivos que já nem recordo…  E agora?! Serei eu a ser ambiciosa e relaxada ou será ele a duvidar das minhas capacidades?!

E voltamos à manhã do terceiro dia! O desassossego e inquietação sobre o que me esperava mandaram-me rapidamente para fora da cama. Acordei cedo, talvez mais cedo pelo “aviso” de ontem. Pior não iria fazer e no melhor das hipóteses chegava a boas horas. No fundo até sentia o bichinho de provar que sou mais forte que a profecia!

Pela minha frente… cerca de cinquenta quilómetros com perto de mil metros de desnível. Os números não me assustavam certamente, apesar de este poder ser o dia mais duro. No entanto, o desafio da descoberta e a constante imprevisibilidade do que acontece pelo caminho tornam tudo numa incerteza. E essa é a beleza da verdadeira aventura! É o que me faz ficar com borboletas na barriga! É o que me deixa de olhos a brilhar e com a pele arrepiada!

Depois de largar os campos da vila, volta a paisagem de chaparral que tanto me tem apaixonado. Começo a entrar na serra do Toiro, aquela que já avistava de longe. A subida vai-se tomando gradualmente e sem grande esforço… contudo há uma certa desolação quando as encostas aparecem rasgadas pelos socalcos dos eucaliptos. Debaixo destas árvores, um solo nu, despejado de vida e de cor!

A subida começa agora a ficar cada vez mais inclinada, e depressa me vejo obrigada a saltar da bicicleta e a carregá-la à mão. Um sol abrasador faz escorrer rios de suor pela minha cara. “Dureza” é a palavra que dito pelo caminho, à medida que me esforço por fazer a bicicleta passar por um piso carregado de pedra. Paro por momentos à sombra de um pequeno eucalipto. Só para ganhar mais uns minutos de força para as próximas centenas de metros. “Já estou perto do topo!” O cume destaca-se ao longe pelo seu Penedo. Um afloramento rochoso que é uma autêntica ilha de biodiversidade envolvida numa paisagem coberta de eucaliptos. E ainda com vista para o Atlântico!

"... o desafio da descoberta e a constante impresibilidade do que acontece pelo caminho tornam tudo uma incerteza.."

" ...E lá estava a árvore perfeita! A árvore que serviu de sombra a um sol abrasador... que serviu de encosto para uma menina cansada e de estendal para a roupa suada.A árvore era o Sobreiro! "

Do Penedo até à aldeia de São Luís são cerca de oito quilómetros, feitos praticamente sempre a descer. Pela descrição do guia de campo da Rota Vicentina esta teria sido a etapa mais montanhosa, caracterizada por ser mais exigente pelas subidas longas em terreno duro e irregular. Estando já na fase final da descida, com o Penedo a ficar para trás, comecei a descontrair. Afinal sempre estava à altura do desafio! Podia agora aproveitar a primeira descida mais longa para desfrutar da bicicleta ao longo do caminho. Afinal essa seria uma das principais razões que me tinham levado a decidir levar uma mochila às costas em vez dos famosos alforges. A liberdade que poderia sentir, desfrutando assim ao máximo da bicicleta! E estava feliz com essa decisão. O peso não deveria ultrapassar os oito quilos. E, apesar de a mochila não ser a mais indicada, começava a fazer parte de mim.

Passei de relance na pequena aldeia de São Luís e apenas parei para me abastecer de água e alguns mantimentos num mini mercado. Olhei para o Sol, ainda estava alto! Depois baixei-me para ver as horas… passava pouco do meio dia. E como estava satisfeita e orgulhosa! Afinal já fizera quase metade do caminho, e logo a parte mais dura. Tudo fluía bem mas já tinha a barriga a dar as horas. O dia estava tão bonito que só me apetecia parar para almoçar à sombra de uma árvore. Assim, segui as marcas do trilho que me levaram por um caminho rural, ao longo de propriedades e campos agrícolas. E lá estava a árvore perfeita! A árvore que serviu de sombra a um sol abrasador. Aquela que serviu de encosto para uma menina cansada e de estendal para a roupa suada.

A árvore era o Sobreiro!

Como me apetecia ter ficado um pouco mais. Talvez até deixar-me ficar para uma sesta. Estava tão despreocupada que deixava o tempo passar por entre os meus dedos. A brisa fazia-se sentir muito levemente nos ramos do chaparro e a sombra tentava-me a ficar mais um bocado. De repente, um agricultor pára a carrinha na estradinha à minha frente. De sorriso nos lábios pergunta com um ar tão afável se preciso de ajuda. Fiquei tão surpresa quanto animada. São estas pequenas coisas que nos aquecem o coração. Um simples perguntar de quem se preocupa e importa, mesmo sem conhecer. Aqui, na natureza e num mundo que se vive dela, a simplicidade e os valores andam de mão dada e quem passa nunca esquece.

A descoberta do caminho foi mais forte que a tentação da sombra e da brisa. Subi para a minha bicicleta. Valente e destemida! Rumo à etapa da água, onde se desvenda um Alentejo verde e vibrante.

No início desta etapa encontramos campos agrícolas, montados e matos. Um território onde o Homem e a Natureza coexistem de maneira harmoniosa. Vejo serras ao longe, montes e vales intermináveis, manchas de árvores autóctones e campos verdejantes, onde as flores silvestres desabrocham em dias de Primavera. Aqui e acolá pastam vagarosamente vacas de vários padrões, completamente despreocupadas com a vida alheia que as rodeia. E eu fico a vê-las do lado de cá da cerca, a elas e à paisagem que as envolve.

"...Estava tão despreocupada que deixava o tempo passar por entre os meus dedos..."

" ...um cenário idílico e inesperado que anuncia o ambiente incrível que carateriza esta etapa."

Esta foi sem dúvida uma das minhas etapas preferidas! Pouco depois de se atravessar a ponte sobre a ribeira de Vale de Ferro encontramos o Pego da Laima, um cenário idílico e inesperado que anuncia o ambiente incrível que caracteriza esta etapa. A partir deste ponto, a principal protagonista é a belíssima ribeira do Torgal, o principal afluente do rio Mira. Este lugar demovo-nos por completo da ideia que temos do que esperar ver no Alentejo. Parece mesmo que alguém pegou na paisagem de outro lugar e a colocou aqui.

As margens da linha de água estão cobertas por espécies que adoram este ambiente mais húmido. Salgueiros, amieiros e freixos, nunca esquecendo os imponentes sobreiros que nos lembram sempre que estamos por terras alentejanas!

É tão fácil deixar a bicicleta rolar por aqui. O caminho é plano e suave. A temperatura é mais agradável pela proximidade da água e a sombra acompanha-nos para todo o lado. Um oásis inesperado! E eu pedalava feliz da vida, parando apenas para espreitar o curso de água aqui e acolá. Aproveitava para dar uma olhada no meu mapa gigante e seguia em frente.

Um desvio pode trazer mil surpresas. E foi o que me aconteceu, uma surpresa. Uns quilómetros mais à frente e revela-se uma sinalética com o nome “Pego das Pias“. Olho o relógio e dou uma espreitadela ao Sol. “Ainda é cedo”, pensei. O meu esforço tinha compensado e já pouco faltava para terminar o incrível dia em Odemira.

“Bora lá, salta para a bike e pedala com alma rapariga!” Um quilómetro mais à frente e cheguei ao que posso afirmar ser o ex-líbris da região, o Pego das Pias. Se até aqui já me questionava como poderia estar num sítio tão luxuriante e rico em água, aquando embebida num pedaço do grande Alentejo… quando ali cheguei, jurava parecer estar num daqueles recantos típicos do Gerês.

Já sentia o frenesim ao ouvir as vozes alegres e ao ver silhuetas coloridas por entre os amieiros. Eram pessoas que, tal como eu, descobriram este cantinho do paraíso. Estacionei nas margens do rio e sem grandes demoras transformei-me de ciclista para banhista. Na minha mochila, por mais que singela, nada faltava! Nem um bikini, nem uma pequena toalha para o eterno “nunca se sabe” que me costuma sair da boca. Parecia uma mochila mágica!

“A minha frente, uma piscina natural enorme, de tom esverdeado e a reluzir ao Sol. Sem praticamente nehuma intervenção humana, este lugar é único! As margens estão repletas de vegetação, sobrando apenas alguns recantos de terra e relva para deitar uma toalha. Perfeito para quem ama a Natureza! A verdadeira Natureza! Do outro lado da margem do rio, uma laje de rocha calcária e árvores com ramagem que se deixa cair até à superfície da água. Encantador!

"Bora lá, salta para a bike e pedala com alma rapariga! Um quilómetro mais à frente e cheguei ao que posso afirmar ser o ex-líbris da região"

"Agarra-te, encolhe os joelhos e deixa-te ir... espera o momento certo e larga-te! Que refrescante!"

Fazer amigos é a coisa mais fácil do mundo quando estamos em lugares assim. Lembra-me de quando era pequena e ia à praia. Eu e o meu irmão passávamos longas tardes entretidos com novos amiguinhos. A facilidade de me dar a conhecer e, de certa maneira, me entregar a alguém que não conheço é algo que sempre me foi natural. É algo que faz parte de mim e me tem vindo a trazer grandes momentos e grandes amizades. Acontecem de forma espontânea. Por não ser algo assim tão simples e fácil de adquirir para muitos, é que dou tanto significado a esta minha característica que tanta felicidade me dá!

E lá me meti com o grupinho de amigos que se encontrava à minha frente, divertidos de volta de algo que eu já andava há tanto tempo para encontrar. Aquela brincadeira que só via nos filmes… ali estava…. mesmo à minha frente! Um baloiço de madeira, atado a uma árvore por uma corda, e usado pelos mais arrojados com o objectivo de se mandarem para dentro de água.

Um após outro, lá se iam agarrando com as mãos ao bocado redondo de madeira. E num impulso mais ou menos audacioso, lá se mandavam para dentro do rio. Ri com eles, divertida, à medida que também lhes ia tirando algumas fotografias. E claro, lá chegou a minha vez de experimentar! “Agarra-te, encolhe os joelhos e deixa-te ir… espera o momento certo e larga-te! Que refrescante! Mais uma vez e ainda fica melhor!” E que vontade dava de ficar o resto do dia a mandar-me à água.

Depois de mais uns mergulhos, decidimos ir explorar aquele lugar. Uns passinhos mais à frente no trilho e chegámos a uma zona rochosa. Agora desimpedida das majestosas árvores, permitia-nos ver o que torna este lugar em algo tão singular. A ribeira do Torgal, por onde já tinha serpenteado antes, dá lugar a algo completamente diferente e inesperado.

Ao longo dos anos, a água, ao passar por uma zona de rochas monumentais e com algum declive, foi criando redemoinhos, que com um caudal mais elevado e uma força maior, foi escavando cavidades circulares na rocha. Estas cavidades é que dão o nome às Pias.

Hoje, podemos ver as pias repletas de água, tornando este troço da ribeira mais selvagem e profundo. Rodeado de rochas impressionantes e situado num vale de encostas carregadas de sobreiros. Para nunca esquecermos que este continua a ser o nosso Alentejo

" ...situado num vale de encostas carregadas de sobreiros. Para nunca esquecermos que este continua a ser o nosso Alentejo! "

"Uma paisagem que não nos pertence e que, fora de controlo, está a dominar o que outrora foram florestas de carvalhos, sobreiros, pinheiros e todas aquelas árvores genuinamente portuguesas."

E porque o mundo onde vivemos hoje é uma balança entre coisas boas e menos boas, não foi preciso percorrer muitos mais quilómetros até chegar a uma mata de eucalipto, ou antes, a memória de uma, perdida num Alentejo onde a biodiversidade também se foi perdendo ao longo dos tempos.

Tinha de me beliscar para acreditar no quanto a paisagem mudara desde há uns breves minutos. Lembrei-me do egoísmo do ser humano, daquele que cobiça, que conquista tudo, e tudo molda para sua conveniência. Colinas despidas de vida, cinzentas e aos socalcos… Troncos cortados junto ao chão, ramos caídos ao acaso, e folhas secas que cobrem um solo seco, infértil e duro. É desolador, trazendo uma sensação de desespero e tristeza a quem por aqui passa. Mas é preciso ver! Ver com olhos de quem quer ver o que se passa e não o pode tolerar! É a realidade de um país desprovido de floresta autóctone, onde não existe legislação suficiente que proteja os habitats, e onde o dinheiro continua a conseguir falar mais alto que os valores.

Estou já “habituada” a ver um litoral Centro repleto desta espécie invasora que apenas serve meia dúzia de pessoas e em troca destrói habitats, ameaça espécies de fauna e flora e arruína os solos, tornando-os inférteis. São centenas de hectares de “vazio” ecológico! Uma paisagem que não nos pertence e que, fora de controlo, está a dominar o que outrora foram florestas de carvalhos, sobreiros, pinheiros e todas aquelas árvores genuinamente portuguesas.

Foram cinco extenuantes quilómetros ao longo de serra e vale, cobertos de um eucaliptal recentemente arrasado. Apesar de ter visto pouco desta espécie no Alentejo não poderia deixar de me sentir triste. Pedalei com força para sair dali, apesar de esta realidade ser também importante de tocar. Pedalei e pedalei… até que finalmente fui ao encontro das margens do rio Mira.

A vida voltou com o rio! Um rio que tal como eu, chega a Odemira! E que vila magnífica, ainda mais embelezada pelos efeitos decorativos que se encontravam ao longo das suas ruas. Subi cheia de energia pela calçada branca. Passei pelas casinhas brancas, animadas pelas cores que se sobressaiam nos contornos das portas e janelas. E cheguei a um jardimzinho no Centro da vila, onde pude finalmente comemorar a vitória de mais um dia inesquecível.

" ... A vida voltou com o rio! Um rio que tal como eu, chega a Odemira!"

"...A janela de portadas azuis estava aberta e deixava escapar essências de uma vila ainda agitada."

Não foi preciso ir muito longe, aliás, bastava olhar para o outro lado da praça para poder ler na parede WOW Alentejo, o hostel mais espectacular que conheci até hoje.

Mal entrei, senti logo que o dono daquele lugar seria alguém que anseia que os seus hóspedes se sintam tão bem quanto em sua própria casa. Os espaços, apesar de pequenos, foram muito bem aproveitados, e ambiente é coisa que não falta. As cores das paredes, janelas e ombreiras das portas trazem uma imensa serenidade. E todos os cantinhos estão carinhosamente preenchidos com uma decoração que nos alegra e faz sentir tão bem.

Fiquei sozinha num quartinho super acolhedor. A minha caminha até tinha uma pequena taça com pedaços de chocolate. Como não me poderia sentir bem-vinda?!

A janela de portadas azuis estava aberta e deixava escapar essências de uma vila ainda agitada. Fiquei ali por momentos a apreciar a doçura do lugar e a vista para a praçinha coberta de árvores. O lugar onde tinha acabado de pedalar naquele grande dia.

Ainda restavam uns fragmentos de luz lá fora, o que me apressou a sair da casinha! Fui explorar a vila ao som de “Deolinda, que tão bem condizia com aquele lugar! Primeiro desci até ao Rio Mira, onde fiquei a ver o Sol esconder-se por detrás dos montes onde outrora me tinha aventurado. Agora só restava o crepúsculo, a claridade suficiente para olhar a vila de um ponto mais alto.

Odemira… Enternecida pelo final do dia, fazia-me sonhar!

Estava radiante por ali estar, por tudo estar a correr tão bem, por me sentir tão livre… livre para fazer o que quisesse! E que dia era hoje senão o da própria Liberdade, o memorável 25 de Abril! Senti-me tão sortuda por ter algo que, aparentemente inquestionável, há uma mão cheia de anos era uma coisa imaterial com a qual apenas se poderia sonhar.

Com o anoitecer acenderam-se as luzes que animavam a vila! Candeeiros que deixam um rasto de cor quente. Ao fundo, na praça da República, luzinhas coloridas desenhavam o “25 de Abril“. Deixei-me ir de encontro ao som da festa! Lá em baixo encontrei as gentes e segui-as até ao arraial! Daqui em diante tudo foi uma surpresa! Sentei-me sozinha numa mesa, para jantar junto ao palco. Pouco depois, já estava rodeada de novos amigos! A ouvir e a contar histórias ao som de José Cid, numa noite onde se festejava a Liberdade numa terra tão genuinamente portuguesa.

Já era bem de madrugada quando me despedi dos meus novos amigos e quase não havia ninguém pelas ruas. “Onde já vi isto?”, pensei, e comecei a rir ao recordar outras histórias parecidas.

Cheguei ao hostel a transbordar de nostalgia. A janela ainda estava aberta e os tons quentes e amarelos entravam pelo quarto, iluminando-o. “Que bonito”, pensei. Mas faltava alguma coisa ali… agora sozinha, debruçada sobre o parapeito, pensava no quanto gostava de ter o Jorge a meu lado. De poder partilhar aquela magia com ele. Lembrei-me de como é bom poder partilhar a vida com alguém que nos ama e entende. Como tudo faz mais sentido quando é vivido em conjunto.

Uma lágrima caiu, e depois outra. E ali… “soube que era amor para a vida toda, que era contigo a minha vida toda”.

"Uma lágrima caiu, e depois outra. E ali... soube que era amor para a vida toda, que era contigo a minha vida toda..."

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Alentejo, Portugal

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